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terça-feira, 9 de março de 2021

Casos de violência doméstica aumentaram durante a pandemia



A marca na porta da residência de Erika ficou, assim como as lembranças das agressões sofridas pelo ex. Do começo feliz a um final com agressões e até ameaças de morte. Erika, cujo nome é fictício por medo de retaliação, foi vítima de violência durante dois casamentos. O último foi rompido durante a pandemia após ser agredida inúmeras vezes por alguém que ela sonhou que seria diferente.

"No início, achei que tinha encontrado meu príncipe. Ele era maravilhoso, mas casei e tudo mudou. Começou com ele me agredindo com palavras até chegar nas agressões físicas". Das lembranças que ficaram, uma delas Erika não se esquece. "Lembro que ia no salão. Quando chegava em casa, ele via meu cabelo arrumado e jogava água".

A marca na porta de sua residência foi uma das que ficaram após a última briga com o ex. Cresceu o número de mulheres que procuraram ajuda durante a pandemia, segundo dados do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) de Rio Preto. Foram 1.575 atendimentos em 2019, contra 1.668 do ano passado. Esse é o tema da segunda reportagem da série do Diário "Vozes que precisam ser ouvidas".

A violência contra a mulher também atinge todas as classes sociais e faixas etárias. Levantamento da Secretaria da Mulher de Rio Preto mostra que dos 6.915 atendimentos feitos pelo Cram nos últimos cinco anos, 58% deles tinham como vítimas mulheres de 20 a 39 anos. "Na região Norte, identificamos que são espaços que as mulheres denunciam mais, mas a questão da violência contra a mulher atinge todas as classes sociais. Em regiões mais nobres existem casos, mas as mulheres muitas vezes ficam com mais receio de denunciar", disse a coordenadora do Cram de Rio Preto, Cléa da Cruz Lima.

Analisando os crimes, a delegada Dálice Ceron revela que grande parte dos registros na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto ocorre quando os acusados estão sobre efeito de algum tipo de droga. "Em 70% das ocorrências que atendemos na DDM de Rio Preto, percebemos que tem a questão da droga ilícita ou álcool. O indivíduo está sob o efeito dessas drogas e tem uma reação mais agressiva", afirmou.

Segundo o psicólogo Dolário César Filho, que atende as vítimas, normalmente as mulheres agredidas apresentam sinais, como perder o contato com familiares e amigos. "As pessoas podem ajudar através da denúncia. Às vezes as pessoas têm aquele critério de não intervir, ou seja, o velho ditado que em relacionamento de marido e mulher não se mete a colher, mas se ver qualquer tipo de agressão é importante denunciar, seja o vizinho ou qualquer familiar".

Ainda sem comprovação científica, pesquisadores já estudam os motivos para o aumento da violência durante a pandemia. Entre os principais fatores analisados estão a pressão psicológica, que cresce naturalmente com as notícias sobre o avanço da pandemia, e o aumento do tempo de convívio com o agressor, tornando a vítima mais vulnerável a ser agredida.

"Com medo, eu tentei mais de uma vez com ele. Eu já tinha a medida protetiva, estava indo na psicóloga, mas resolvi voltar. Foi uma semana de lua de mel e na outra já começou novamente a me bater e agredir. Foi quando desisti", contou Erika.

A doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP) Fabiana de Andrade destaca que, antes de denunciar o agressor, é corriqueiro que as vítimas procurem ajuda de familiares ou até de igrejas como forma de aconselhamento. "Elas procuravam 'consertar' o relacionamento e melhorar o convívio familiar como se a responsabilidade de 'solução' fosse apenas delas e, entre algumas mulheres, também como se fosse culpa delas estar passando por isso", afirmou a especialistas.

Por:(Diario da Região)

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