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quarta-feira, 15 de abril de 2020

Violência doméstica aumenta em Rio Preto durante a pandemia


O isolamento preventivo contra o avanço do coronavírus trouxe um triste efeito colateral para as mulheres: o aumento da violência doméstica em Rio Preto. Todos os tipos de ocorrências relacionadas a esse tipo de crime cresceram na comparação entre fevereiro e março (principalmente nas duas últimas semanas do terceiro mês do ano).

O número de prisões de agressores subiu de 14 para 24 e as emissões de medidas protetivas (para impedir a aproximação do agressor) foram de 83 em fevereiro para 99 em março, segundo dados da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Dalice Aparecida Ceron, delegada coordenadora da DDM de Rio Preto, afirma que o começo de março foi relativamente calmo, mas a partir do dia 22 os índices de violência começaram a preocupar. No dia 23, o isolamento passou a ser mais rígido, com decretos estadual e municipais restringindo a abertura dos comércios e de empresas.

O levantamento da DDM apontou também aumento nos registros de boletins de ocorrência de violência doméstica, de 170 para 182. O número de ameaças sofridas pelas mulheres passou de 94 para 104. Em março, foram registradas duas tentativas de feminicídio, enquanto em fevereiro não houve um caso sequer.

Apesar do levantamento não trazer números de abril, a violência continua. Uma das vítimas mais recentes foi uma moradora do Jardim Paraíso, que teve a casa destruída por um incêndio criminoso, praticado pelo ex-marido, de 34 anos. O homem foi preso em flagrante e responderá pelos crimes de incêndio, ameaça e injúria.

Contribuíram para o aumento da quantidade de agressores presos, o inicio das rondas da Patrulha Maria da Penha, da Guarda Civil Municipal, que resultou em duas detenções de homens por desrespeito às medidas protetivas que os obrigavam a se manter a 100 metros de distância das vítimas.

Fatores

A assistente social Cléa Lima, coordenadora do Centro de Referência ao Atendimento da Mulher (Cram), analisa que os números da DDM podem ser apenas uma amostra da real violência doméstica que ocorreu durante o período de quarentena. "Se fôssemos levar em conta os nossos números de atendimentos, pensaríamos em queda da violência, porque reduziu de 206 para 164, de fevereiro para março, mas nós sabemos que muitas mulheres deixaram de procurar ajuda, porque pensam que não estamos atendendo na quarentena, o que não é verdade", diz a coordenadora.

Segundo Clea, pelo relatos das vítimas, as principais causas da violência entre casais têm sido a queda brutal de renda, o repentino desemprego, a falta de alimentos no lar e até simples desentendimentos sobre os cuidados com os filhos, que estão em casa porque as aulas estão suspensas.

De forma preventiva, as funcionárias do Cram fazem uma espécie de ronda a distância, com ligação telefônica para as vítimas, como forma de monitoramento.

A presidente do Conselho Municipal das Mulheres, Sonia Paz, diz que o movimento feminista está preocupado com esse aumento. "No isolamento social, a mulher que não está legalmente separada e não obteve medida protetiva está sendo obrigada a ficar trancada com o agressor para escapar do vírus, mas corre o risco de apanhar."

Sonia afirma que nesta quarta-feira, 15, o conselho das mulheres vai se reunir, via conferência pela internet, para fazer um documento a ser entregue na Secretaria da Mulher para solicitar mais ações de proteção contra a violência doméstica.

(Colaborou Yasmin Lisboa) Por:(Diário da Região)

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